» » » » Moradora relata até tapa ao reclamar de festas da Copa na Vila Madalena

Professora Fernanda Mendes Luiz, de 50 anos, colocou faixa na frente de sua casa, na Vila Madalena, Zona Oeste de São Paulo (Foto: Glauco Araújo/G1)


As comemorações da Copa do Mundo na Vila Madalena, bairro boêmio de São Paulo, têm se transformado em "campo de batalha" entre moradores e frequentadores que superlotam as ruas da região durante os jogos. Uma moradora relatou, inclusive, ter levado um tapa na cara ao reclamar do barulho.

"Teve uma noite que colocaram um carro de som e fizeram um pancadão até a madrugada. Não aguentei e fui lá reclamar do som alto. Acabei levando um tapa na cara de um rapaz musculoso", conta a professora de francês Fernanda Mendes Luiz, de 50 anos, que se instalou no bairro há dois anos.

Fernanda destaca que já perdeu a paciência com a falta de educação das pessoas, além da pouca ação da polícia e fiscalização durante as comemorações das partidas do Mundial.

Mesmo depois de ser agredida, a professora voltou ao "front" para evitar que frequentadores da Vila continuassem urinando na porta de sua casa. "Peguei uma mangueira e fiquei no corredor de entrada esperando alguém fazer xixi ali. Quando flagrava uma pessoa, eu jogava água. Teve um homem que pegou a mangueira e jogou água em mim. Fui socorrida por um policial", revela Fernanda.

"Isso virou um monstro", acrescenta Maria Justo, de 90 anos, que mora na mesma casa do bairro desde 1923. Segundo a idosa, a região enfrenta rotineiramente problemas com barulho, vandalismo e frequentadores de bares que usam estabelecimentos e residências como banheiro público.

Professora Fernanda Mendes Luiz, 50 anos, pichou muro de sua casa, na Vila Madalena (Foto: Glauco Araújo/G1)
Professora Fernanda Mendes Luiz pichou muro de sua casa, na Vila Madalena (Foto: Glauco Araújo/G1)


De Londres para a Vila
O designer inglês Tom Green, de 49 anos, disse já ter entregue em mãos um abaixo-assinado para o prefeito Fernando Haddad pedindo providências durante festas e eventos culturais realizados no bairro. "O que ele fez com o documento, eu não sei, até agora não vi nada. Estamos fazendo um segundo abaixo-assinado. É um desrespeito o que acontece aqui. Saí de Londres há 15 anos e escolhi a Vila Madalena para viver. Aqui era um bairro misto, de comércio misto, mas hoje o privilégio é para abrir bares. Estão acabando com a diversidade comercial na região", avalia.

Tom também é diretor do Conselho de Segurança de Pinheiros (Conseg), membro do Conselho Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Cades) e coordenador do movimento SOSsego Vila Madalena. "Estamos preocupados com a possibilidade de a prefeitura querer fechar as ruas do bairro para outras festas e eventos na cidade aos finais de semana. A Vila Madalena corre o risco de virar uma Fan Fest permanente. Nós não queremos isso", destaca.

Bebedeira
"Quando você muda para a Vila Madalena, já sabe que vai conviver com barulho. Não sou contra as festas de rua, mas tem que haver controle. Não quero que as pessoas deixem de vir, mas que venham com educação. É muita violência que vem junto com o consumo exagerado de álcool. Há um problema de fiscalização aqui", diz Fernanda.

Segundo moradores, houve um excesso de divulgação da Vila Madalena como um local onde há gastronomia diversificada e bares. "As pessoas vieram, e agora o bairro não aguenta tanta gente. Parece que as pessoas vêm até a Vila Madalena para descontar seus problemas no bairro, nos comerciantes, nos moradores daqui. Os jovens bebem muito e se descontrolam. O bairro é legal, mas está ficando difícil morar e trabalhar aqui", afirma Tom, que colocou à venda o prédio onde funciona sua loja e também onde mora.
Além disso, a professora de francês reclama da falta de liberdade na região. "Os bares ocupam as calçadas, e não sei se isso está correto. Os flanelinhas são os donos das ruas e cobram R$ 20 para parar o carro, incluindo de moradores", aponta Fernanda.

Maria Justo, 90 anos, disse que não consegue dormir em dia de jogo e hoje tem medo de andar pela Vila Madalena (Foto: Glauco Araújo/G1)
Maria Justo, de 90 anos, disse que não consegue dormir em dia de jogo e agora tem medo de andar pela Vila Madalena (Foto: Glauco Araújo/G1)


Tragédia grega
Uma das moradoras mais antigas da Vila Madalena, Maria Justo lembra do tempo em que sua família, vinda de Portugal pelos idos de 1920, criava vacas para fornecer leite fresco a conventos e pequenas vendas na região. "É a primeira vez na minha vida que eu vi isso aqui no bairro. As portas e janelas da minha casa tremem com o barulho. Não dá para dormir. Essa bagunça vai até as 6h da manhã", conta.

Segundo Maria, a paciência dela vai ser testada novamente com a próxima sequência de jogos da Copa.  "Hoje o bairro está uma tragédia grega. Essa festa foi mal organizada, foi tudo feito em cima da hora. Só tivemos policiamento depois do segundo jogo da Seleção Brasileira. Essas pessoas só querem saber de maconha, cocaína e bebida. Tenho pena dessa juventude. A fachada da minha casa foi toda pichada."
Fã do patrício Cristiano Ronaldo, a idosa revelou que chegou a torcer pela seleção de Portugal, mas que se decepcionou com o craque de sua terra natal. "Sempre gostei de futebol, frequentei o Pacaembu, o Morumbi. Quis ver o Cristiano Ronaldo jogar, mas aquele desgraçado se escondeu e foi para casa. Hoje em dia, não dá para torcer mais", afirma Maria, com o que lhe restou de bom humor.



Fonte: Portal G1

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